quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

LISBOA MISTURA estive lá e foi lindo...


Teatro São Luiz - 29 e 30 de Novembro - 18HOO ÀS 23HOOUma ideia Sons da Lusofonia em co-produção com a EGEAC E.M./SLTM


Quinta-feira - 29 Novembro, 18h00 Jardim de Inverno, Um novo olhar sobre Lisboa

Debate,

Quinta-feira - 29 Novembro, 20h00

Sala Principal, Monte Lunai, Música e dança tradicionais

Quinta-feira - 29 Novembro, 20h00

Sala Principal, Jon Luz & Filipa Pais, Música de Cabo Verde e de Portugal,

Quinta-feira - 29 Novembro, 22h00, Sala Principal, À Noite o Sol (Negócios Estrangeiros), Teatro, música, vídeo e literatura

Quinta-feira - 29 Novembro, 23h00

Jardim de Inverno, Afro Blue DJs, Set especial "Lx Mix"Sexta-feira - 30 Novembro, 18h00

Jardim de Inverno, Batoto Yetu, Dança e música africanas

Sexta-feira - 30 Novembro, 18h45

Jardim de Inverno, Novos Sons, Resultado de workshops

Sexta-feira - 30 Novembro, 20h00

Sala Principal, Kalaf e Nástio Mosquito, Improviso poético do concreto à sanzala

Sexta-feira - 30 Novembro, 20h0

Sala Principal, Kumpania Algazarra, Sonoridades que cruzam influências da música de leste

Sexta-feira - 30 Novembro, 20h00Sala Principal, Lil’John e a Orquestra d’O Estado do MundoEspectáculo criado para o programa

Sexta-feira - 30 Novembro, 22h00Sala Principal, Lis-Nave, Espectáculo de música, Dj SetSexta-feira - 30 Novembro, 23h00Jardim de Inverno, Festa Intercultural, Música, histórias e dança ao vivo

Sexta-feira - 29 e 30 NovembroSão Luiz Café, Sabores do Mundo, Menu Lisboa Mistura

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Italo Calvino

"Foi logo na montra da livraria que descobriste a capa com o título que procuravas. Atrás desta pista visual, lá foste abrindo caminho pela loja dentro através da barreira cerrada dos Livros Que Não Leste, que de cenho franzido te olhavam das mesas e das estantes procurando intimidar-te. Mas tu sabes que não te deves deixar assustar, que no meio deles se estendem por hectares e hectares os Livros Que Podes Passar Sem Ler, os Livros Feitos Para Outros Usos Para Além Da Leitura, os Livros Já Lidos Sem Ser Preciso Sequer Abri-los Por Pertencerem À Categoria Do Já Lido Ainda Antes De Ser Escrito. E assim transpões a primeira muralha de baluartes e cai-te em cima a infantaria dos Livros Que Se Tivesses Mais Vidas Para Viver Certamente Lerias Também De Bom Grado Mas Infelizmente Os Dias Que Tens Para Viver São Os Que Tens Contados. Com um movimento rápido passas por cima deles e vais parar ao meio das falanges dos Livros Que Tens Intenção De Ler Mas Antes Deverias Ler Outros, dos Livros Demasiado Caros Que Podes Esperar Comprar Quando Forem Vendidos Em Saldo, dos Livros Idem Idem Aspas Aspas Quando Forem Reeditados Em Formato De Bolso, dos Livros Que Podes Pedir A Alguém Que Te Empreste e dos Livros Que Todos Leram E Portanto É Quase Como Se Também Os Tivesses Lido. Escapando a estes assaltos diante das torres de reduto, onde se te opõem resistência os Livros Que Há Muito Programaste Ler,
os Livros Que Há Anos Procuravas Sem Os Encontrares,
os Livros Que Tratam De Alguma Coisa De Que Te Ocupas Neste Momento,
os Livros Que Queres Ter Para Estarem À Mão Em Qualquer Circunstância,
os Livros Que Poderias Pôr De Lado Para Leres Se Calhar Este Verão,
os Livros Que Te Faltam Para Pores Ao Lado De Outros Livros Na Tua Estante,
os Livros Que Te Inspiram Uma Curiosidade Repentina,
Frenética E Não Claramente Justificada.
E lá conseguiste reduzir o número ilimitado das forças em campo a um conjunto sem dúvida ainda muito grande mas já calculável num número finito, mesmo que este relativo alívio seja atacado pelas emboscadas dos Livros Lidos Há Tanto Tempo Que Já Seria Altura De Voltar A Lê-los e dos Livros Que Dizes Que Leste e Seria Altura De Te Decidires A Lê-los Mesmo."

ITALO CALVINO Se numa noite de Inverno um viajante

Carlos Drummond de Andrade

Amar se Aprende Amando


O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade

José Gomes Ferreira

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr da imaginação...
A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.
Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.
E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorn
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José Gomes Ferreira

quarta-feira, 3 de outubro de 2007


Um colo é um solo que gera calor...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Marguerite Yourcenar

"A palavra escrita, ensinou-me a escutar a voz
humana, assim como as grandes atitudes imóveis das
estátuas, me ensinaram a apreciar os gestos".
(Marguerite Yourcenar).

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Meninos de todas as cores

Era uma vez um menino branco chamado Miguel, que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:
É bom ser branco
porque é branco o açúcar, tão doce,
porque é branco o leite, tão saboroso,
porque é branca a neve, tão linda.
Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos eram amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus, que, como todos os meninos amarelos, dizia:
É bom ser amarelo
porque é amarelo o Sol
e amarelo o girassol
mais a areia da praia.
O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador chamado Lumumba que, como os outros meninos pretos, dizia:
É bom ser preto
como a noite
preto como as azeitonas
preto como as estradas que nos levam para
toda a parte.
O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos.
Escolheu para brincar aos índios um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:
É bom ser vermelho
da cor das fogueiras
da cor das cerejas
e da cor do sangue bem encarnado.
O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Babá, que dizia:
É bom ser castanho
como a terra do chão
os troncos das árvores
é tão bom ser castanho como um chocolate.
Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:
É bom ser branco como o açúcar
amarelo como o Sol
preto como as estradas
vermelho como as fogueiras
castanho da cor do chocolate.
Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.

Luísa Ducla Soares

Luisa Ducla Soares

O Soldado João

Era uma vez um soldado chamado João. Vinha de sachar milho, de regar cravos, de semear couves e manjericos.
Agora, toca a marchar, de espingarda ao ombro, mochila às costas, botas de cano, farda a rigor.
Pelos campos fora, o soldado João era a vergonha dos batalhões. Trazia uma flor ao peito, punha as mãos nas algibeiras, coçava o nariz, não acertava o passo. E, para cúmulo, assobiava ou cantava modinhas da sua aldeia.
Bem lhe ralhava o sargento, o ameaçava o capitão, o castigava o general.
O soldado João continuava a marchar, feliz e desengonçado, como se fosse à feira comprar gado ou ao mercado vender feijão.
Mas tanto, tanto marchou o soldado João, que chegou à terra da guerra.
Todos os soldados carregaram as espingardas e fizeram pontaria. Mas o soldado João achou indelicado não ir cumprimentar os colegas da outra banda. Pousou a arma, saltou a trincheira, avançou estendendo a mão.
Então, os outros soldados, espantados, estenderam também a mão.
— Fogo! — gritava o sargento.
— Disparem! — mandava o capitão.
— Atirem! — ordenava o general.
Mas os soldados eram tantos que demorava muito tempo a cumprimentá-los. Foi o sargento buscar o soldado João, dizendo:
— Rapaz, não te lembras de que te ensinei que a guerra é para matar? Vou pôr-te a corneteiro, já que não tens jeito para atirador.
O soldado João pegou na corneta, ei-lo a soprar, e logo o fandango ecoou pelos campos fora, convidando à dança.
Sapateava a tropa, rodopiava, batia palmas.
— Alto! — gritava o sargento.
— Basta! — mandava o capitão.
— Parem! — ordenava o general.
Arrancou o sargento a corneta ao soldado João e, zangado, explodiu:
— Vais para cozinheiro do exército. Ao menos aí não empatarás a guerra.
Mal chegou à cozinha, foi buscar café. Arrastava pelas fileiras, fumegando, o enorme panelão, apetitoso, perfumado.
Aproximava-se de cada soldado, tirava-lhe o capacete para fazer de malga, despejava-lhe uma concha de café. Amigos e inimigos, todos se deliciavam com tão inesperado pequeno-almoço.
— Ao vosso lugar! — gritava o sargento.
— A postos! — mandava o capitão.
— Perfilar! — ordenava o general.
Tiraram a panela ao soldado João, enrolaram-no numa bandeira da cruz vermelha, dizendo:
— Já não és atirador, nem corneteiro, nem cozinheiro. Daqui por diante, és enfermeiro militar.
Mal se viu na nova função, ei-lo a correr à procura de feridos.
Viu um tenente com um olho negro e foi tratá-lo.
Viu um furriel com uma picada de abelha e, num instante, lhe arrancou o ferrão.
Notou que os dois generais inimigos coxeavam ligeiramente, descalçou-lhes as botas e pôs-se a tirar-lhes os calos.
Então, o incrível aconteceu.
Os dois generais levantaram-se ao mesmo tempo e condecoraram-no com duas luzentes medalhas de ouro.
Como era noite, acharam que já passara o tempo da guerra, apertaram as mãos e partiram em paz.
O soldado João sete dias andou até chegar à sua aldeola, onde de novo sacha milho, rega cravos, semeia couves e manjericos.


Luísa Ducla Soares
O soldado João


Porto, Editora Civilização, 2002

Reflexões de um psiquiatra


As dádivas da vida

As violências, as situações negativas, as dificuldades encontradas ao longo da vida parecem deixar mais vestígios no nosso espírito, na nossa memória, no nosso corpo ou na nossa história do que os acontecimentos felizes que possamos ter vivido.
Depositam-se no fundo do ser, abrem fendas e revelam falhas. Inscrevem-se como feridas, como páginas amarrotadas ou rasgadas da nossa história que nos apressamos a contornar, a pôr de lado, a esquecer.
Tudo se passa como se o nosso plano de consciência ficasse cativo de uma percepção clivada e fundamentalmente dual da realidade: de um lado tudo o que é bom, tudo o que está conotado com o prazer, a gratificação e a segurança (todas as mensagens desta natureza são cultivadas, granjeadas, procuradas ou até endeusadas numa ideologia positivista); do outro lado tudo o que gera desprazer, confronto com o inaceitável, com a insegurança, tudo aquilo que será negado, repudiado, dividido a meio, e que, no entanto, permanece nos traços profundos que deixa em nós.
Tudo se passa como se não tivéssemos aprendido a descodificar as mensagens da vida contidas em cada acontecimento, para lá da sua conotação imediata de sofrimento, de obstáculo ou de dificuldade; como se não soubéssemos captar, e menos ainda, acolher os fenómenos gratificantes, os factos positivos, as oferendas da vida, escondidas, mas presentes… em tudo o que nos acontece.
Os Índios da costa oeste do Canadá afirmam que “qualquer acontecimento, qualquer encontro, esconde uma bênção”, desde que aceitemos descobri-lo como tal.
Uma tal disponibilidade de acolhimento, uma tal disposição supõe que possamos entrar num tipo de sintonia particular, numa harmonia, no sentido vibratório do termo, entre aquilo que nos chega da vida e a forma como o vamos captando, recebendo, integrando e assimilando.
Uma rapariga tinha ganho dois lugares gratuitos para um concerto de jazz oferecidos por um grande jornal diário suíço. Fora recebida no salão VIP, agraciada com muitos presentes: saco, disco, esferográfica… No intervalo, para ir beber um refresco, pousa o porta-moedas junto da cadeira, juntamente com o copo vazio, para ficar com as mãos livres e saborear uma barra de chocolate; depois, na confusão do momento, esquece-se do porta-moedas e do saco. Ao voltar para casa, dá-se conta das coisas perdidas: dinheiro, documentos, cartões de crédito. Fica desnorteada, imagina o pior e começa a recriminar-se, tanto pelo que tinha feito como por aquilo que deixara de fazer… Depois, caindo em si, imagina que alguém poderá ter encontrado o porta-moedas, e sobretudo os documentos, e então consegue passar o resto da manhã mais animada. Disse mais tarde: “Eu, que acabava de perder tanta coisa, sentia-me sintonizada com o dar.” No final da manhã, o telefone toca e ouve alguém anunciar-lhe que tudo fora encontrado intacto: porta-moedas, documentos, cartões de crédito e o dinheiro. Tratava-se de um jovem casal que, tendo assistido ao mesmo concerto, vira o porta-moedas e o saco esquecidos debaixo da cadeira. Acrescentou: “Dali em diante, tornámo-nos próximos. Senti uma corrente de afinidades muito forte entre mim e aquele casal. Foi assim que aqueles amigos entraram na minha vida.”
Quando deparamos com aborrecimentos, arrelias ou contrariedades, quando temos um acidente, quando a doença surge, quando um ser amado nos deixa, é-nos muito difícil, num momento inicial, perceber em que é que estes acontecimentos podem ser positivos, em que é que eles são portadores de uma dádiva! Os factos em si, a violência que os acompanha irritam-nos, revoltam-nos, violentam-nos e desestabilizam-nos. Provocam atitudes de reacção ou de defesa. Por vezes até nos ferem, martirizam-nos, podem atingir-nos no mais fundo e destruir uma parte essencial de nós mesmos. É necessário um regresso a nós próprios, um trabalho de interiorização e de tomada de consciência antes de se poder encontrar a chama viva da nossa frágil existência, a abertura possível e a mudança depois do período de insegurança, antes de descobrirmos o milagre que nos é oferecido naquilo que, num primeiro instante, só deixara antever a violência, o caos, a injustiça ou a confusão inaceitável.
“Quando o meu namorado me deixou, julguei que a minha vida tinha acabado. Achava que já não tinha qualquer valor nem utilidade à face da terra, que já não tinha nenhuma razão para viver. E quando uma amiga me propôs que fosse para junto dela, para o estrangeiro, fi-lo por ela, pelo menos assim o julgava. Seis meses depois, fazia-o por mim, ao começar um curso. Estou convicta de que não seria a mulher que hoje sou se não tivesse dado ouvidos aos sinais que me chamavam para fora de mim, para fora do meu país.”
“Esta doença foi uma verdadeira revelação. Mudei o meu modo de vida, a forma de me vestir, os meus passatempos transformaram-se numa festa. É certo que perdi alguns amigos, mas encontrei outros.”
Um acontecimento traumático pode vir a ser revelador de potencialidades inexploradas, de aspectos de nós mesmos ainda por descobrir.
Uma crise, um conflito agudo, podem ser catalisadores de energias dispersas, permitindo mobilizar riquezas desconhecidas, despertar potencialidades inesperadas.
A vida contém muitos presentes. O mecanismo parece ser o seguinte: os sinais positivos, quando são recebidos e tidos como tal, dão energia, e essa energia transforma-se de uma certa forma em sensação de bem-estar, em amor. Pelo contrário, os sinais negativos podem ser captados como violências que despertam feridas que, por sua vez, geram sofrimento. O sofrimento, o ressentimento desvitalizam, consomem energia.
Deveríamos, então, optar por uma aprendizagem das relações humanas que nos permitisse acolher, com gratidão, a vida contida em todo e qualquer acontecimento, em qualquer encontro, em toda a partilha. Pois é disso que de facto se trata. Estar vivo é acolher a vida. Nós não recebemos a vida só no momento da concepção ou do nascimento, como um capital adquirido e que só bastaria gerir ao longo da existência terrestre. Penso que podemos acolher, dinamizar a vida que vem ao nosso encontro sob todas as suas formas, tal como se nos apresenta no dia-a-dia de uma existência.
Em qualquer encontro, através de estímulos que nos chegam da natureza, dos seres, dos acontecimentos e das situações que interagem connosco, a vida está presente, presente em toda a parte, pedindo apenas para encontrar vida. Somos, de algum modo, receptores e passadores de vida.
Acolher a vida, valorizá-la, ampliá-la e espalhá-la à nossa volta, pode ser esse o sentido da nossa passagem sobre a Terra. Poderíamos, assim, renunciar a muitos engodos, a muitas mitologias à volta do amor. Ao aprendermos a amar-nos, poderíamos alargar as nossas relações em termos de “ecologia relacional”.
Se soubermos acolhê-las, é certo que receberemos dádivas da vida mas podemos também oferecê-las, espalhá-las, criá-las. Cada pessoa poderia interrogar-se à noite antes de adormecer:
Que presente de vida pude oferecer hoje? Que palavra, que olhar, que sorriso, que gesto, que aceitação, que confirmação ofereci, recebi, revelei?
Quem é que, todos os dias, é capaz de transmitir, àquele que encontra, o sentimento de fazer crescer a vida, de embelezar o seu olhar, de ter acesso à sua palavra, de se sentir mais amado, mais presente? Quem pode ter o propósito de se aceitar melhor, de ousar amar-se e de amar a tempo inteiro?
Tornar-se, assim, um semeador de Vida.
A vida é uma espécie de dádiva que dura um instante – apenas.
Herbjorg Wassmo
in contadores . destorias

Cayetano Arroyo


E fazei aquilo que a vós
não houve quem fizesse

para que em cada
geração

as árvores cresçam mais direitas.

Cayetano Arroyo

Clarice Lispector

É difícil perder-me. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo."
Clarice Lispector

Pablo Neruda

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.

Nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Autor desconhecido

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…


(texto de autor desconhecido erradamente atribuído a Fernando Pessoa)